Dois dias e cinco miragens

Nebula, © Atelier L'Agnès

 

Tardava-me existir, sentir sobre o rosto a verdade absoluta de quem sou. 
Quando acordei, não era eu quem caminhava, não era eu na ponta dos pés que pisava o chão molhado. Foi assim, sempre assim que me curvei sobre mim mesma, na ânsia de sentir, febre de acreditar que o amanhã seria ainda desenhado na linha que me travessa a mão.
Verde de esperança, quando os segundos batem, as manhãs nascem e a vida, parece um charco estagnado em que já nem sapos se encontram. 
Virá, virá ainda aquele tempo, virá ainda aquele dia... 
Todo este tempo rotativo num constante pensamento do que será ainda.
Se nunca acontecer? 
Se nunca for?
Se nunca se der? 
Que será então do tempo em que vivo agora, abrasando imagens de um dia mais pleno? O futuro chega, ou sempre esteve aqui sobre a promessa de sonhos?

 



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