Freedom
Não paro de pensar na morte, é como se os meus olhos caíssem para as noticias mais macabras. Lia sobre a mulher do Siza, morta com problemas de coração, mas também uma depressão profunda. Como se cura essa coisa que nos vai dentro, como curo, isto que tenho dentro de mim, que diz "faças o que fizeres nunca ficarás bem, nunca te darão mérito" Questionava-se a filha ,porquê tanto sofrimento se o marido amava tanto?" É porque o sofrimento advém da falta de amor que temos a nós próprios. Sonhamos a vida e depois perdermo-nos nos meandros dela, com isso o nosso eu, aquele que deveria existir deixa de estar presente. Morresse primeiro por dentro.
Que vida é esta que ansiava ter e que me escapou, que caminho é este que anseio e não consigo trilhar? Pasma-se em letras? Em linhas? Ainda que fosse rica, ainda assim seria infeliz. A única diferença seria ter muito ruído para abafar este enorme silêncio que mora cá dentro. Questiono-me se me tornei assim, ou se a minha alma sempre foi assim. Do que me lembro a frase "procuro a luz e sigo sempre a sombra" sempre foi a que me melhor me definiu. O que faço com esta melancolia que mora aqui, que sou eu? As lágrimas de felicidade apenas chegam, quando me imagino no topo de uma montanha dos Alpes a contemplar o mar, e a África ao fundo. Nem sei se tal visão é possível. Um mundo onde não existe ninguém, nem nada para além de mim.
Criticam outros por preferiram o vernácular ao modernismo, uns por serem mais isto que aquilo. Eu seria feliz se talvez nem um nem outro existisse e o no entanto a igreja de Chur, do Förderer, fez-me chorar. Foi como chegar a casa, a um lar dentro de mim própria. Não pensei em Deus, ou em nada de transcendental, a minha alma apenas estava feliz por lá estar. Tenho saudade dos dias quentes, caminhar sozinha numa direção, face a um objectivo, talvez aquilo que mais sinto a falta é de mim mesma. Sem as etiquetas da sociedade ou as que imponho a mim mesma, tenho saudades de me dar ao luxo de ter o futuro por escrever. De passar um dia inteiro por aí sem dar satisfação de nada, nem a ninguém, de deixar a vida correr e em algum instante abraçar a minha existência finita de uma forma simples e sem critério.
Aceitar-me. Porque eu já era, eu sempre fui, não há etiquetas a serem preenchidas, acções a serem tomadas, ou provas a serem dadas. Talvez só aí a criança que mora dentro de mim se decida a caminhar comigo e todas as perguntas do passado sejam esquecidas, mais que isso, este norme vazio seja preenchido.
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